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  • José Marques

Trabalhadores se desesperam em frente a usina em Jaciara; Max Russi cobra providências

Demitidos desde o ano passado, funcionários da indústria de álcool e açúcar passam por necessidades por empresa não cumprir acordo com MPT.


Mais de 300 ex-funcionários da Usina Porto Seguro de Jaciara, demitidos desde o final do ano passado, ainda aguardam o pagamento de seus direitos trabalhistas. É o que informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fabricação de Álcool de Jaciara e Região, Isaías Gomes de Souza, ao deputado Max Russi (PSB), durante as manifestações que tiveram início na manhã desta segunda-feira (15), em frente à sede da indústria. Russi reforçou o apoio aos trabalhadores, que já alegam sérias dificuldades financeiras. Os mais de 150 manifestantes asseguram que não sairão do local, até que haja uma negociação efetiva.


Sob os olhos atentos da segurança armada contratada pela empresa, na ideia de conter um eventual confronto, o ex-funcionário Silvanio José, que é mecânico de veículos pesados, desabafou.


“Isso é uma vergonha, o que está acontecendo aqui. Pais de família, que deixaram as suas casas para vir aqui reivindicar os nossos direitos. Pessoas armadas aqui na frente, como se nós fossemos ladrões. Queremos somente o que é nosso e estamos aqui em paz. Faz seis meses que nós não recebemos. Somos trabalhadores e queremos o que é nosso”, respondeu.


O mecânico de máquinas, Irineu Dias dos Santos, era funcionário desde 1999 e foi desligado de suas funções em janeiro. Ele disse que recebeu apenas a primeira parcela, referente as verbas rescisórias, ou seja, a Usina não estaria cumprindo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado no início do ano com o Ministério Público do Trabalho de Rondonópolis, onde se comprometeu a realizar os pagamentos divididos em no máximo 10 parcelas.


“Só esse dinheiro que eles deram para nós, esses mil reais de janeiro. Está todo mundo passando por necessidade, porque eles não pagam. Eles contratam segurança armada, para poder nos afrontar”, ressaltou.



Max Russi tem usado a tribuna da Assembleia Legislativa para denunciar o não cumprimento dos acordos por parte da administração da indústria de álcool e açúcar. Ele participou dos protestos iniciais e disse que considera a situação um verdadeiro descaso com as famílias dos trabalhadores, ainda mais nos tempos em que o país e o mundo sofrem com uma pandemia.


“No atual momento, conseguir um novo emprego é uma tarefa muito difícil para essas pessoas. Esses trabalhadores estão passando dificuldade, passando fome, todo tipo de aperto em um momento em que há uma doença, batendo na porta de todos nós. Eles não estão pedindo esmola, apenas o que é de direito, aquilo que a usina pactuou junto ao Ministério Público do Trabalho. Eu estou do lado dos trabalhadores, procurando todos os órgãos para cobrar uma solução, cobrando uma posição. Vou continuar nessa cobrança, nessa luta”, assegurou.


Trabalho escravo e degradação



Além de não cumprir com os direitos trabalhistas do ex-funcionários demitidos, sem aviso prévio, a Usina Porto Seguro estaria contratando pessoas de outras localidades, sem oferecer condições dignas de moradia, conforme relato de alguns trabalhadores.


Outra denúncia, também feita ao deputado Max Russi, seria de que a empresa estaria descartando restos e recipientes de produtos químicos, como soda cáustica, em locais não adequados, assim como nas áreas de vegetação e próximas aos pequenos rios.


“Recebi todas essas denúncias de trabalho análogo à escravidão e de problemas ambientais, inclusive com fotos. Tudo isso será averiguado e apresentado as autoridades. Eu vou cobrar para que seja efetivamente investigado, pois nós não podemos aceitar isso”, assegurou.

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